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Soja fecha em baixa, mas tem semana positiva na CBOT e no Brasil

Apesar da baixa registrada pelos preços da soja no pregão desta sexta-feira (20) na Bolsa de Chicago, a semana foi positiva para as cotações tanto no mercado internacional quanto no positivo.


Nas principais praças de comercialização brasileiras, a valorização dos preços foi, em média, de R$ 1,00 por saca. Já na CBOT, o vencimento maio/14, o mais negociado nesse momento, o ganho foi de 1,2% na semana e, em todo o ano é de 10,3%.

De acordo com um levantamento da Safras & Mercado, na semana, em Passo Fundo/RS, o preço se manteve nos R$ 72,00, enquanto subiu de R$ 66,50 para R$ 67,50 em Cascavel/PR. Em Rondonópolis/MT, a cotação passou de R$ 59,00 para R$ 60,00/saca, em Dourados/MS, a saca avançou de R$ 62,50 para R$ 64,00 e em Rio Verde/GOsubiu de R$ 63,00 para R$ 64,50 a saca.

O mercado, segundo explicam os analistas, segue sendo pautado pela realidade preocupante dos Estados Unidos. Os estoques do país estão extremamente apertados, em níveis preocupantes, e a demanda pelo produto norte-americano ainda é muito intensa e, até o momento, não dá sinais de desaquecimento.

Os números divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) essa semana mostraram que, no acumulado do ano comercial 2013/14, os embarques efetivos de soja dos EUA já são de 38,9 milhões de toneladas. As exportações são de mais de 44 milhões de toneladas, frente à última estimativa do órgão de 41,6 milhões de toneladas.

Diante desse cenário, que se completa com as perdas registradas na safra brasileira, as cotações exibiram forte alta, rompendo o patamar dos US$ 14,50, considerado como uma resistência pelo mercado, o que motivou, como explicaram os analistas, as realizações de lucros das duas últimas sessões.

Com isso, os vencimentos mais negociados em Chicago encerraram os negócios desta sexta-feira (21) perdendo mais de 25 pontos. O contrato maio/14 fechou a semana valendo US$ 14,08 por bushel, e o julho/14 ficou em US$ 13,82.

"No último dia 7, Chicago bateu acima dos US$ 14,50/bushel e isso aconteceu também nesta quinta-feira (20), então vemos que há uma resistência muito forte para ir além. Mas os fundamentos, em princípio, demanda e baixo estoques nos Estados Unidos, eles permanecem", afirma Camilo Motter, economista e analista de mercado da Granoeste Corretora.

No entanto, Motter afirma também que é preciso observar com atenção o quadro da demanda, principalmente por parte da China e no curto prazo. As margens de esmagamento já não estão tão positivas no país e há uma demanda menos expressiva de farelo em algumas regiões, o que estaria fazendo com que algumas cargas de soja que saem do Brasil com destino China estariam sendo direcionadas para os Estados Unidos.

"Ainda precisamos da confirmação dessas informações, mas se isso acontecer, a demanda fica relativamente danificada no curto prazo", completa.

Ainda assim, os fundamentos seguem positivos já que só a China, por exemplo, como maior importadora mundial de soja, ainda tem uma necessidade de importação de cerca de 5 a 6 milhões de toneladas por mês, de acordo com Glauco Monte, analista de mercado da FCStone, para garantir seu abastecimento adequado.

"A China continua precisando abastecer suas fábricas, e por isso continua no mercado e, por isso que, mesmo caindo, o primeiro contrato da soja se mantém acima dos US$ 14 por bushel. Temos muita influência da parte técnica, mas os preços seguem bem acima da média", diz.

Comercialização - Os analistas afirmam que os atuais patamares de preços, apesar da recente queda dos últimos dias, ainda devem ser observados com atenção pelo produtor brasileiro, principalmente quando estiverem mais próximos dos US$ 14,50. Afinal, a tendência para os prêmios pagos nos portos brasileiros para a soja tendem a cair ao passo que as cotações evoluem em Chicago e estimulam novas vendas.

"Esses ainda são preços que vão remunerar bem o produtor. Porém, esse não é o melhor momento do mercado. Muitas empresas recuam de suas compras e, de outro lado, o produtor também está recuando e não está participando do mercado", diz Camilo Motter. "Há uma certa dificuldade em colocar o produto físico no mercado internacional e os compradores acabam pressionando o prêmio", explica.

Milho: Após altas de mais de 25% desde o início do ano, preços recuam no mercado interno

Por Fernanda Custódio

Após a valorização do último pregão, os futuros do milho negociados na BMF&Bovespa operam em queda nesta sexta-feira (21). A situação também se repete no mercado interno e na região de Campinas (SP), a saca de 60 quilos que era negociada a R$ 35,00 no final de fevereiro, recuou para R$ 32,00.

De acordo com o levantamento da Scot Consultoria, os preços no mercado interno recuam desde o início do mês de março. O avanço da colheita da safra de verão e a evolução da semeadura da safrinha exerceram pressão negativa nas cotações no mercado.

O economista da Granoeste Corretora de Cereais, Camilo Motter, explica que depois das altas de mais de 25% nos preços desde o início do ano, a tendência é de estabilidade nos preços. As cotações apresentaram uma valorização expressiva após as adversidades climáticas que afetaram o rendimento das lavouras em importantes regiões produtoras na safra de verão, especialmente São Paulo e Minas Gerais.

“Vamos ter uma quebra de mais de 2 milhões de toneladas na primeira safra e uma redução pouco mais significativa na safrinha, o que manteve os preços elevados. E os preços no interior inibem uma exportação mais competitiva nesse momento, a indústria está garantida nesse momento”, relata Motter.

Bolsa de Chicago

As cotações futuras do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) terminaram a sessão em campo misto, próximos da estabilidade nesta sexta-feira (21). Os primeiros vencimentos fecharam o pregão com ligeiras altas, entre 0,25 e 0,50 ponto, já os mais distantes exibiram leves quedas, entre 0,50 e 0,75 ponto. O contrato maio/14 era cotado a US$ 4,79 por bushel.

Segundo analistas, as primeiras posições foram sustentadas pelo anúncio de vendas de milho norte-americano, cerca de 340 mil toneladas para o Egito, feito pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Em contrapartida, os mais longos foram pressionados negativamente pelas quedas registradas nos contratos vizinhos da soja e do trigo, que terminaram a sessão com perdas expressivas.

Ainda assim, no curto prazo, a tendência é que os preços continuem operando com volatilidade, com oscilações entre os lados positivo e negativo da tabela. E, somente, após a divulgação do novo relatório do órgão norte-americano, no dia 31 de março, os preços tendem a definir uma direção.

O consultor de mercado da FCStone, Glauco Monte, destaca que os investidores aguardam esses importantes números dos estoques trimestrais e também a confirmação do tamanho da safra norte-americana 2014/15. Atualmente, mesmo diante das exportações dos EUA aquecidas, os números dos estoques do país acima do esperado pelo mercado têm limitado as altas nos preços do cereal. “Temos cotações do milho mais altas, porém ainda abaixo da média dos dois anos anteriores”, diz.

Em relação ao clima nos Estados Unidos, o consultor afirma que ainda é cedo para saber se a situação irá afetar a evolução do plantio no país. Durante essa semana, as previsões de clima mais frio para importantes regiões produtoras do cinturão produtor norte-americano impulsionaram os preços do cereal em Chicago.

Notícias Agrícolas // Carla Mendes